25.10.08

Vazio

O teu calor é o remédio
da minha febre
A tua boca é a fonte
do meu vício
A tua pele é o limite
da minha sanidade
A tua ausência é o alimento
da minha insônia.
Insone piso o céu sobre mim
sem o chão onde pisas
Sem dividirmos a mesma xícara
a sede é mecânica
a vida é apagada
Não é frio
Não é quente
Não é nada.

8.4.08

sobre incomensurabilidades de dentro e fora

E as escadas continuam a subir degraus
infinitos, eu acho
para que subir.
Mas é que eu continuo com medo da vida
Medo de tudo que é simples
Desacredito.
E as escadas.
Pesadas no infinito enganadas na ilusão de subir
Em queda livre à imensidão das trevas
que seriam?
não seriam.
Inútil pensar que será satisfatória a simplicidade
Eu quero informação misteriosamente codificada
Para além das potências de dois.
Muito além.
Mas é que a poesia me inferniza com esse medo inofensivo
Mas constante
Constante mas não contínuo
Se é que todo mundo pode entender o que eu digo
Ou ninguém
Mas alguém
Eu gostaria
Eu não gostaria de estar longe
E eu não posso aprisionar-me embora faça-me bem
Meu bem
Era você que eu queria que estivesse sentindo e sendo sentido.